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O Caso da Casa da Ópera · Roger Daniel Grubb
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Machine translation into Portuguese (Brazil) — the first chapter, free. The full book is available in English.

CAPÍTULO UM

A tempestade de outubro atingiu Sea Ranch do jeito que Maya Chen lembrava da infância—de lado e sem piedade, carregando o aroma salino afiado do Pacífico e o perfume verde das sequoias molhadas. A chuva martelava o para-brisa do carro aluguel enquanto ela entrava no estacionamento de cascalho ao lado da Ópera Pemberton, e por um momento ela tinha dez anos de novo, segurando a mão de sua avó enquanto corriam por uma tempestade assim para ver uma produção do teatro comunitário. A avó de Maya havia amado este edifício, tinha lutado para salvá-lo uma vez, nos anos 1980. "Edifícios guardam memórias", Nai Nai havia lhe dito, água escorrendo de seus cabelos prateados enquanto ficavam em pé no brilho quente do saguão. "Eles mantêm nossas histórias seguras."

Agora, trinta anos depois, Maya estava de volta para lutar a mesma batalha.

O revestimento de madeira de sequoia desgastado do edifício estava quase preto de umidade, mas mesmo através da cascata de água, ela conseguia ver a estrutura dos ossos: aquele falso frontispício distinto de 1890 com sua ornamentação elaborada em estilo açucarado, os suportes decorativos sob os beiral profundos que alguém havia tentado e fracassado em replicar em uma adição desajeitada dos anos 1970 acoplada ao lado leste.

Maya desligou o motor e ficou sentada por um momento, estudando o edifício com olhos de arquiteta. A reunião do comitê de preservação não seria por mais uma hora, mas ela queria tempo sozinha com a estrutura. Para ouvir o que ela estava tentando lhe dizer antes que os outros chegassem com suas agendas, seus orçamentos e sua certeza de que o progresso superava a história.

Ela puxou o capuz de sua jaqueta de chuva para cima e correu em direção à entrada frontal. As portas duplas originais eram de sequoia maciça com painéis de vidro gravado retratando máscaras de comédia e tragédia—teatrais e perfeitamente apropriadas para uma ópera, embora ela duvidasse que a pequena cidade mineradora tivesse alguma vez sediado uma ópera de verdade. O hardware em latão estava oxidado, mas era original, e a fechadura a enfrentou por um momento antes de render com um clique satisfatório que ecoou pelo saguão vazio.

O cheiro a atingiu primeiro. Madeira velha e décadas de óleo de limão, o leve mofo que vinha com a umidade costeira, e algo mais—algo afiado e metálico que a fez fazer uma pausa na porta. Então seus olhos se ajustaram à iluminação interior fraca, e ela o viu.

Leonard Hartwell estava deitado no pé da grande escadaria, torcido de um jeito que fez o estômago de Maya revirar. Ela nunca havia visto um cadáver antes—não assim, não violento e errado. Por um momento ela não conseguia se mover, não conseguia processar o que estava vendo. Então o treinamento assumiu.

Não contamine a cena. Ligue para 911. Verifique o pulso mesmo assim, por se acaso.

Suas mãos tremiam enquanto ela tirava seu telefone. Sem sinal. Claro. As paredes espessas de sequoia e o telhado metálico da ópera sempre foram notórios por bloquear recepção de celular—sua avó havia reclamado sobre isso trinta anos atrás, e aparentemente nada havia mudado.

Maya se forçou a se aproximar do cadáver, pisando com cuidado, seu olho de arquiteta anotando automaticamente detalhes mesmo através do choque: o tapete de corredor gasto nas escadas, o poste solto do corrimão que ela havia fotografado no mês anterior durante sua avaliação inicial, as manchas de água no teto com caixotões que indicavam vazamentos no telhado. E o sangue, escuro contra o tapete vinho desbotado.

Ela se ajoelhou ao lado de Hartwell—perto o suficiente para verificar os sinais vitais, mas não perto o suficiente para perturbar... evidência. Meu Deus, ela estava realmente pensando em evidência? Ela pressionou dois dedos contra seu pescoço, procurando por um pulso que ela sabia que não encontraria. Sua pele estava fria. Não gelada como nos filmes, mas definitivamente não quente. Ela calculou que ele estava morto há pelo menos um par de horas.

O aroma metálico afiado era mais forte aqui, misturado com algo mais. Uísque? Ela notou um frasco virado perto de sua mão direita, líquido se espalhando no chão ao redor dele. Uma pequena parte de seu cérebro registrou o detalhe clinicamente: pessoas frequentemente sofriam acidentes quando intoxicadas. Caíam das escadas. Batiam a cabeça.

Exceto.

Maya se levantou lentamente, seu olhar viajando pela escadaria. Ela havia examinado esta estrutura completamente no mês anterior. As escadas eram de sequoia de coração original, gastas mas sólidas. O corrimão tinha aquele poste solto, sim, mas não causaria alguém cair. E Hartwell—ela sabia pela sua pesquisa para o comitê de preservação—tinha subido estas escadas milhares de vezes. Ele havia presidido o comitê por quinze anos, realizado reuniões no salão de baile do segundo andar mensalmente. Ele conhecia cada centímetro deste edifício.

Então por que ele cairia?

Seus olhos se fixaram em algo cerca de vinte degraus acima: arranhões frescos na madeira e o que parecia ser uma marca de esfregaço que não estava ali antes. Maya tirou o telefone do bolso—sem sinal para chamadas, mas a câmera ainda funcionava. Fotografou as marcas, depois se virou e capturou toda a cena de múltiplos ângulos, incluindo o corpo de Hartwell. Parecia errado, invasivo, mas seu instinto gritava que havia algo de estranho nessa morte.

Ela precisava pedir ajuda, o que significava sair do prédio para pegar sinal de celular. Mas primeiro, uma última olhada ao redor.

O saguão mostrava sinais da presença de Hartwell: sua pasta aberta no balcão de ingressos, papéis espalhados pela superfície. Ela se aproximou, sem tocar em nada, apenas observando. Agendas de reuniões, avaliações arquitetônicas, relatórios financeiros. E uma carta, parcialmente visível sob outros papéis, com um timbre que ela não reconhecia: "Blackwood Development Group".

Maya fotografou isso também.

Então percebeu as pegadas molhadas saindo da porta da frente, contornando o perímetro do saguão, até uma porta marcada "Somente Funcionários" sob a escada. Não eram de Hartwell—eram diferentes, menores, e o padrão da sola parecia mais recente. Alguém mais tinha estado ali, recentemente, caminhando na mesma tempestade que havia trazido Maya.

Ela seguiu as pegadas até a porta de funcionários, fotografou-as, depois cuidadosamente girou a maçaneta. Trancada. Mas as pegadas molhadas terminavam ali, o que significava que alguém tinha uma chave, ou—

Seu telefone vibrou. Sinal, finalmente, provavelmente por estar mais perto da parede externa. Maya o tirou e encontrou uma série de mensagens preocupadas de Rita do chalé: Tempestade terrível. Fique segura. Me avise quando estiver voltando.

Em vez de responder, Maya discou 911.

"911, qual é a sua emergência?"

"Estou na Ópera Pemberton em Sea Ranch. Há um corpo—Leonard Hartwell. Ele está morto. Parece que caiu das escadas, mas..." Maya hesitou. Como você explicava intuição arquitetônica para um atendente? "Algo não me parece certo sobre a cena."

Duas horas depois, Maya estava sentada na cabine da caminhonete do vice-xerife Tom Bradley, envolta em um cobertor de emergência apesar de não ter sido exposta a nenhum elemento, observando veículos de emergência se aglomerarem ao redor da ópera como parentes preocupados. Bradley havia lhe dado café quente de sua garrafa térmica—café de verdade, não aquele negócio fraco de posto de gasolina—e esperava pacientemente que ela parasse de tremer.

"Primeira vez encontrando um corpo?" ele perguntou suavemente.

Maya acenou com a cabeça, segurando a caneca de metal quente entre as duas mãos. "É tão óbvio assim?"

"Você está lidando melhor do que a maioria." Bradley tinha uns cinquenta anos, com aquele rosto curtido que sugeria que ele tinha passado a maior parte deles ao ar livre. Seu comportamento era calmo, metódico—o oposto do redemoinho de atividade ao redor deles. "Me conte tudo o que você viu, quando viu. Do início."

Então Maya contou, surpresa com a clareza com que conseguia lembrar dos detalhes agora que suas mãos tinham parado de tremer. A porta da frente destrancada. O cheiro. A posição de Hartwell. O poste do corrimão solto que não explicava a queda. Os arranhões frescos nas escadas. Os papéis no balcão de ingressos. O timbre da Blackwood Development.

E as pegadas molhadas levando até a porta trancada.

Bradley havia estado anotando em um pequeno caderno de couro, mas com esse último detalhe sua caneta pausou. "Tem certeza de que as pegadas não combinam com os sapatos de Hartwell?"

"Absoluta. Tamanho diferente, sola diferente. E estavam molhadas, o que significa que quem as deixou tinha estado do lado de fora na tempestade, provavelmente dentro da última hora antes de eu chegar."

"A porta embaixo das escadas—para onde leva?"

"Não tenho certeza absoluta. Originalmente seria armazenamento ou possivelmente acesso a uma adega de carvão. Mas muitos desses prédios antigos nesta área tiveram... modificações criativas durante a Proibição. Quartos subterrâneos, passagens secretas. A ópera Pemberton é de 1895, o que significa que já tinha trinta anos quando a Décima Oitava Emenda foi aprovada. Velha o suficiente para ter adquirido alguns segredos."

Bradley anotou. "Você sabe bastante sobre o prédio."

"Sou a arquiteta de preservação que o comitê contratou para avaliar a viabilidade da restauração. Tenho pesquisado a Ópera Pemberton há três meses. Minha avó..." A garganta de Maya se apertou. "Ela amava este prédio. Ela é parte do motivo de eu ter me tornado arquiteta."

"Quando você diz 'tinha', quer dizer no passado?"

"Ela faleceu no ano passado. Mas sempre disse que se a ópera precisasse ser salva novamente, alguém da família deveria ser quem fizesse isso." Maya conseguiu esboçar um pequeno sorriso. "Acho que sou eu."

Bradley acenou lentamente com a cabeça, depois voltou o olhar para seu caderno. "Este detalhe sobre os papéis—Blackwood Development. Você reconheceu o nome?"

"Não. Deveria?"

"Talvez. Tem havido conversas nas reuniões da comissão de planejamento sobre um grupo de desenvolvimento interessado em comprar propriedades históricas pela costa. Hotéis antigos, teatros, esse tipo de coisa. Eles gostam de prometer 'reutilização adaptativa' e 'restauração sensível', depois esvaziam os edifícios e os transformam em condomínios de luxo."

As mãos de Maya se apertaram ao redor da xícara de café. "Deixa eu adivinhar—Hartwell era contra?"

"Publicamente? Sim. Ele havia falado contra eles em várias reuniões. Disse que a ópera era um patrimônio da comunidade, não uma mercadoria." Bradley fez uma pausa. "Mas se ele tinha o papel com o brasão deles na sua pasta..."

"Talvez estivesse reconsiderando," Maya completou. "Ou talvez estivessem pressionando-o."

"Ou talvez," Bradley disse com cuidado, "alguém quisesse que parecesse que ele estava em negociações com eles."

Ficaram em silêncio por um momento, observando a van do legista se posicionar pela entrada frontal. A chuva tinha finalmente parado, deixando tudo limpo e com cheiro de ozônio e sequoia.

"Devo mencionar," Bradley disse, "que cresci assistindo a shows naquela ópera. Vi minha primeira peça lá quando tinha sete anos—alguma produção de teatro comunitário de Our Town. Minha esposa e eu nos casamos no salão de baile lá em cima." Ele olhou para o edifício com uma expressão que Maya reconheceu: a tristeza particular de ver algo que se ama sob ameaça. "Se há qualquer chance de alguém ter machucado Len para obter controle daquele edifício..."

"Descobriremos," Maya disse com mais confiança do que sentia. "Prometo que, se houver algo arquitetonicamente suspeito sobre sua morte, encontrarei."

Bradley a observou com um olhar longo e ponderado. "Você percebe que não posso oficialmente envolver um civil em uma investigação ativa."

"Claro que não."

"Mas também não posso impedir que a arquiteta de preservação do comitê faça seu trabalho, que envolve um exame minucioso de cada elemento estrutural daquele edifício."

"Isso é verdade."

"E se, enquanto faz esse trabalho, você acaso notar algo incomum ou relevante para as circunstâncias da morte de Hartwell..."

"Eu absolutamente levaria à sua atenção," Maya disse solenemente. "Como uma cidadã preocupada."

O canto da boca de Bradley tremulou. "Tive a sensação de que você e eu nos daríamos bem."

O Sea Ranch Lodge era exatamente o que Maya precisava depois do caos da ópera—quente, aconchegante, e gerenciado por Rita Alvarez, uma mulher que olhou para o rosto pálido de Maya e imediatamente soube o que havia acontecido.

"Oh querida," Rita disse, contornando o balcão de recepção para envolver Maya em um abraço que cheirava a jasmim e baunilha. "Vem cá. Você precisa de chá, ou algo mais forte, e precisa sentar."

Dez minutos depois, Maya se viu na pequena mas lindamente decorada biblioteca do lodge, envolvida em um manta macia, com uma xícara de chocolate quente temperado nas mãos e Rita sentada à sua frente, simplesmente presente. Sem fazer perguntas, sem oferecer banalidades, apenas... ali.

"Obrigada," Maya finalmente disse. "Não percebi o quanto eu precisava disso."

"É o que eu faço, querida. Cuidar das pessoas." Rita inclinou a cabeça, estudando Maya com olhos que já tinham visto muito. "Você vai ficar bem?"

"Eventualmente. É só que—" Maya apertou a xícara quente. "Encontrá-lo assim. E saber que a ópera está no centro de algo errado. Aquele edifício significava muito para minha avó, e agora..."

"Agora você está se perguntando se consegue salvá-lo," Rita completou. "E se salvá-lo pode ser perigoso."

"Algo assim."

Rita ficou silenciosa por um momento, depois disse, "Você sabe com quem deveria conversar? Tom Bradley. Ele é um dos bons—honesto como vêm, conhece todo mundo, e ele também amava aquela ópera. A falecida esposa dele, Sarah, tocava piano lá por anos. Concertos comunitários, acompanhamento de filmes mudos, você me entende. Se alguém vai se importar em chegar à verdade, é o Tom."

"Eu o conheci," Maya disse. "Na cena. Ele é... sólido."

"Essa é uma palavra para isso. Teimoso é outra." Rita sorriu. "Mas teimoso da melhor forma, sabe? Ele não deixa as coisas de lado. E ele amava aquele edifício quase tanto quanto Len Hartwell amava."

Maya bebeu seu chocolate quente, sentindo o calor se espalhar pelo peito — parte da bebida, parte da gentileza de Rita. "Posso te fazer uma pergunta?"

"Claro, querida."

"Hartwell tinha inimigos? Inimigos de verdade, quero dizer, não apenas pessoas que discordavam dele sobre preservação?"

A expressão de Rita se tornou cautelosa. "Não exatamente inimigos. Mas havia pessoas que queriam o que ele estava protegendo. Aquele teatro fica em um terreno costeiro valioso, e tem havido pressão — pressão silenciosa — para 'modernizá-lo'. O que é código para 'derrubar e construir condomínios'."

"Blackwood Development?"

"Entre outros. Len enfrentou todos eles." Rita se inclinou para frente. "Escuta, não sei o que aconteceu naquele prédio hoje. Talvez tenha sido apenas um acidente terrível. Mas se não foi..." Ela fez uma pausa, escolhendo cuidadosamente as palavras. "Você tome cuidado, está bem? Prédios podem ser substituídos. Você não."

Maya acenou com a cabeça, mas por dentro já estava fazendo planos. Amanhã ela voltaria ao teatro — oficialmente, como a arquiteta de preservação. Examinaria cada centímetro daquela estrutura, documentaria cada detalhe e descobriria que segredos o Teatro Pemberton estava guardando.

Porque sua avó tinha lhe ensinado que prédios guardam memórias. E às vezes, também guardam evidências.

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